confraria do vinho francês
Além da evocação da variedade (ver artigo precedente), eu queria falar dos vinhos "finos" e dos vinhos "comuns", populares. Esta distinção existe fortemente no
Brasil. Admite-se que um vinho é feito de videiras mais nobres, recomendado pela viticultura mundial (os campeões são: cabernet-sauvignon, merlot, syrah) e os vinhos feitos com uvas
menos apropriadas e que também são boas para se comer... mas hoje, esta distinção praticamente não tem mais sentido na França. O consumo de massa diminuiu muito, mesmo
se considerarmos que em média, um francês ainda beba 54 litros por ano (um brasileiro bebe 2 litros apenas!!!). Certamente o nível de qualidade, a complexidade, o prazer...vai-se
de 1 a 100 ou de 1 a 1.000, mais esta hierarquia é extremamente oscilante. Eu tomaria um dos meus vinhos favoritos: "l'Entre deux mers". Foi considerado durande décadas, um vinho de consumação
popular e hoje, impulsionado pelos produtores que perceberam que não poderiam ficar à mercê dos acontecimentos, esses vinhos progrediram e desenvolveram todas as suas qualidades além de outras
novas... Logo,logo eu farei um artigo sobre esse tema... Mas tanto essa imagem de vinho "popular" é ainda forte que, alguns produtores tentam não mais chamá-lo de "l'Entre deux mers"
mas de "Bordeaux branco" que segundo eles, "soa melhor"... complicado não??? O mesmo vinho pode, conforme a vontade do viticultor ou de seu proprietário, mudar de nome...
Resumindo: uma terra não está condenada à mediocridade. É preciso perseverar na melhoria da plantação e da vinificação. Eu comprei algumas garrafas de um chateauneuf du pape decepcionante
mas, eu não vou me decidir por não comprá-lo mais, mas eu vou somente dizer que tal viticultor falhou em seu trabalho ou, se ele recomeça eu vou até dizer que ele não faz um bom vinho... Entre
todas as denominações, mesmo as mais famosas, existem coisas excepcionais e também produtos menos interessantes... Daí o grande interesse na degustação "às cegas"...