confraria do vinho francês

Freqüentemente as discussões com meus amigos brasileiros amantes do vinho, sobre as condições de transporte do vinho europeu para o Brasil, são inflamadas... São necessários containers isotérmicos? É necessário que o vinho viaje de avião (exceto se um vulcão impede os aviões de decolarem...)?  Freqüentemente eu respondo que, se os vinhos brancos são certamente mais sensíveis às mudanças significantes de temperatura, os vinhos tintos são bem robustos, e o único risco é deles sofrerem uma evolução um pouco desequilibrada se passarem por um tratamento de choque... (a história marítima dos 20 séculos precedentes mostra isso, abundantemente).

 

Um dos maiores navegadores à vela fez uma experiência que confirma essa visão... mas não podemos nos basear numa única experiência...

Boa leitura:

 

 carte-vendee-globe

 

O balanço melhorou a garrafa de Michel Desjoyeaux

O vencedor da última Vendée Globe tinha dentro do seu porão uma garrafa de Lilian Ladouys 2004,  o Bordeaux Saint-Estèphe de seu patrocinador.

Michel Desjoyeaux
Foncia

bateau desjoyeuaux 12.30 Nós– Velocidade média durante o percurso: 14.0 Nós – Velocidade real na água: 28303.2 Nm. Distância real percorrida na água:
8 segundos.  84 dias 3 horas 9 minutos eDuração da prova:

Data da chegada: domingo 01 de fevereiro de 2009 às 15h11min GMT

 


Três semanas antes de cruzar a linha de chegada do porto de Sables-d'Olonne, Michel Desjoyeaux  já sabia que havia ganho a Vendée Globe pela segunda vez… Ele poderia festejar o acontecimento com a única garrafa de vinho existente. «Eu não tinha um saca-rolhas a bordo», disse ele brincando.

 De qualquer maneira, ele jamais bebe durante a prova. Não tem tempo para diversão e muito menos para ficar de papo pro ar. É a mesma coisa com relação à alimentação. Sua longa experiência de solitário lhe ensinou também que quanto mais comemos, mais dormimos. Conclusão: para estar sempre atento, é preciso comer o mínimo possível, consumir apenas as calorias necessárias, não mais que isso. « Antes e depois da prova, meu peso não variou nenhum grama sequer… Quando as condições climáticas se tornam são mais amenas, eu tomo cuidado para não engordar », afirma ele. Quanto à garrafa, uma Lilian Ladouys 2004, cru bourgeois de Saint-Estèphe, estava totalmente fora de questão bebê-la, pois ela fazia parte de uma experiência destinada a seu amigo e patrocinador Jacky Lorenzetti, que acabara de adquirir essa bela propriedade em Bordelais.


As variações extremas de temperatura

O hábito ensina que o vinho deve envelhecer suavemente. Que ele seja paparicado e mimado na escuridão das adegas, onde a temperatura sempre gira em torno de 14°. Essa serenidade por si só garantiria a qualidade dos grands crus. Embalada em plástico-bolha antichoque, depois enrolada numa camiseta e um calção de banho do Racing Club da França (referência ao seu patrocinador), a Lilian Ladouys partiu então a bordo do Foncia em viagem ao redor do mundo no dia 8 de novembro e retornou no dia primeiro de fevereiro depois de 84 dias, 3horas, 9 minutos e 8 segundos. Nesse ínterim, ela sofreu milhares de sacudidas como se estivesse dentro de um misturador permanente, e as variações de temperatura de 40° próximo à linha do equador para 5° quando perto da Antártida. Enquanto que a outra, sua irmã, bela dorme lá na adega, sem jamais ter visto a sombra de uma nuvem.

00134.jpg

« Qual é a que fez a viagem ao redor do mundo? »: uma garrafa em cada mão, Michel Desjoyeaux, chega ao castelo, ele se diverte brincando de adivinhar.

Momento da verdade: as duas garrafas são perfeitamente idênticas.

- A garrafa viajante é aquela da direita?

- Ganhou !

- É a melhor.

  J.F. Chaigneau - Le Figaro 4/06/2009



Mar 20 avr 2010 Aucun commentaire